Soneto e Haicai (Exemplos)

Murmúrio (soneto)

Me dê uma fagulha desses tais raios
Meu estomago embrulha, sou um completo ingênuo
Não suporto mais esses papagaios
Estou adoecendo de modo contínuo.

Ouço essas falácias
Minha alma nunca mais se inspirou
Agora vivo entrando e saindo de farmácias
Acho que o bom tempo de fato me escapou.

Enquanto eles me olham e veem meu sorriso
Percebem o quanto sou abominavelmente entristecido
Mas ninguém me conforta, nada me interessa, eu excedo o próprio sentimentalismo.

Não baguncei e não me tornei refinado
Eu passei em branco
Eu vou morrer eletrocutado.
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Ao embriagar-se, cuidado por onde andas e com o que tu pensas (elegia)

Levanto-me de mais pântanos
Eu sou um homem nojento
Um bicho carente e grudento
Estou jogando fora os meus últimos anos.

Sou do tipo que se perdi bêbado no deserto
Sozinho, desmaio,
Queimo,
Morro e o próprio vento cuida do meu enterro.

Eu sou um crânio furado
Um lar para traças
Eu estou no banco de trás
De uma carro abandonado no meio da rua
Todos passam
Ninguém da a mínima.

Eu escrevo essa elegia
Com meu ultimo pedaço de trapo
Com meu ultimo cotoco de tronco
Com meu ultimo sopro de vida.

Eu estou na borda do cais
Fumando o ultimo cigarro do maço
Soltando as ultimas desgraças pro alto
Tirando os sapatos e virando uma pedra pesada demais.

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Composição (Haicai)

Um homem
Varias desgraças
Uma carcaça.













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